A história de Olímpia SP é uma das mais surpreendentes do turismo brasileiro. Uma cidade do interior paulista que buscava petróleo no subsolo, encontrou água quente e transformou essa descoberta inesperada no maior polo de parques aquáticos da América Latina. Hoje Olímpia recebe mais de 4,8 milhões de turistas por ano, tem a segunda maior rede hoteleira do Estado de São Paulo e é conhecida como a “Orlando Brasileira”. Mas tudo começou com uma perfuração que deu completamente errado — e certo ao mesmo tempo.
O início — uma cidade tranquila no interior de São Paulo
Antes de se tornar um destino turístico mundial, Olímpia era uma cidade simples e tranquila do noroeste paulista, fundada em 1913 e conhecida pela agricultura — especialmente pela produção de laranja, que deu origem ao nome do parque mais famoso da cidade décadas depois.
Antes de virar a Orlando Brasileira, Olímpia já era conhecida por outra vocação. Desde 1965 a cidade realiza o Festival do Folclore, que reúne grupos de dança e tradições de todas as regiões do país. Essa tradição nasceu nas escolas, por iniciativa do professor José Sant’Anna, e se tornou uma das maiores manifestações folclóricas do Brasil. Esse histórico cultural rendeu ao município o título oficial de Capital Nacional do Folclore, concedido pela Lei Federal nº 13.566 em 2017.
A descoberta que mudou tudo — petróleo que virou água quente
A virada de Olímpia aconteceu na década de 1960, quando começou na região uma busca por petróleo. Em vez do “ouro negro”, o que brotou do solo foi água de fonte termal, aquecida naturalmente nas profundezas do Aquífero Guarani.
Em vez de óleo, o subsolo revelou água quente, abundante e capaz de transformar a economia local. Foi assim que Olímpia, antes conhecida pela rotina tranquila e pela força da cultura popular, ganhou novo papel no mapa do turismo brasileiro.
O Aquífero Guarani — o maior reservatório de água doce subterrânea do mundo — passa por baixo de Olímpia e libera água naturalmente aquecida entre 26°C e 38°C. Uma descoberta que na época parecia um fracasso virou o maior ativo econômico da cidade.
1985 a 1987 — o nascimento do Thermas dos Laranjais
Anos mais tarde, em 1985, o empresário visionário da cidade, Benito Benatti, iniciou a criação de um parque aquático, com o intuito de utilizar a água encontrada para lazer. Assim, em 1987, nasce o Thermas dos Laranjais, atualmente um dos mais visitados do mundo e o primeiro no Brasil e na América Latina.
A ideia de Benito Benatti foi simples e revolucionária ao mesmo tempo: se a terra não tinha petróleo, tinha algo ainda mais valioso para o turismo — água quente natural e abundante. O Thermas dos Laranjais começou como um clube social local e foi crescendo progressivamente ao longo das décadas seguintes até se tornar o gigante que é hoje.
A transformação de Olímpia — décadas de crescimento
Essa descoberta mudou o destino da cidade. Em 1987, foi inaugurado o Thermas dos Laranjais, que colocou Olímpia no mapa do turismo e deu início à vocação que define a cidade até hoje — a das águas quentes.
Nas décadas seguintes, o sucesso do Thermas atraiu novos investimentos e transformou completamente a economia local:
- 1987: inauguração do Thermas dos Laranjais — o primeiro grande parque aquático da cidade
- 1990s: expansão da rede hoteleira ao redor do parque — pousadas e hotéis surgem para atender a demanda crescente de turistas
- 2000s: ampliação do Thermas com novas atrações radicais — o parque se torna o maior da América Latina
- 2017: inauguração do Hot Beach Olímpia — segundo grande parque aquático com conceito de resort integrado
- 2017: Olímpia recebe o título oficial de Capital Nacional do Folclore por Lei Federal
- 2021: instituição do Distrito Turístico de Olímpia, o primeiro do Estado de São Paulo, cujo objetivo é fomentar e atrair investimentos para o setor do turismo
- 2023: Olímpia recebe cerca de 4,8 milhões de turistas, um aumento de quase 40% em relação ao ano anterior, colocando a cidade ao lado de destinos como Bonito e Gramado entre os recordistas de visitação do país
- 2026: novidades como a nova atração Nações no Thermas e expansão do complexo Hot Beach com investimentos superiores a R$ 530 milhões previstos até 2031
Olímpia hoje — os números que impressionam
O tamanho do fenômeno impressiona para uma cidade de pouco mais de 55 mil habitantes. Veja os números que mostram a dimensão do que Olímpia se tornou:
| Dado | Número |
|---|---|
| Turistas por ano | 4,8 milhões |
| Posição do Thermas no mundo | 2º parque mais visitado do mundo |
| Posição do Hot Beach na América Latina | 9º mais visitado |
| Leitos de hospedagem | 34 mil — 2ª maior rede hoteleira de SP |
| População local | Pouco mais de 55 mil habitantes |
| Relação turistas/habitante | Mais de 87 turistas por habitante ao ano |
| Festival do Folclore | 62ª edição em 2026 — 160 mil pessoas em 9 dias |
| Categoria no Mapa do Turismo | Categoria A — maior fluxo de visitantes do Brasil |
Por que Olímpia é chamada de “Orlando Brasileira”?
Devido aos parques aquáticos e temáticos e à ampla oferta de entretenimento, a cidade é considerada a “Orlando Brasileira”, o que também tem atraído novos investimentos.
A comparação com Orlando, nos Estados Unidos — cidade que tem a maior concentração de parques temáticos do mundo — faz sentido quando você olha para o que Olímpia oferece em relação ao seu tamanho:
- Dois dos maiores parques aquáticos da América Latina
- Segunda maior rede hoteleira do Estado de São Paulo
- Parques temáticos como Vale dos Dinossauros, Museu de Cera Dreamland e Orionverso
- Estrutura completa de resorts com acesso aos parques inclusos
- Eventos culturais de grande porte como o Festival do Folclore
- Turismo ativo 365 dias por ano graças às águas termais
O Aquífero Guarani — o segredo por baixo de tudo
A razão de Olímpia ter se tornado o que é hoje está literalmente no subsolo — o Aquífero Guarani. Trata-se do maior reservatório de água doce subterrânea do mundo, que se estende por quatro países (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e passa por baixo de Olímpia liberando água naturalmente aquecida.
Essa água quente natural, sem necessidade de aquecimento artificial, é o que torna os parques de Olímpia únicos — e funcionais 365 dias por ano. No inverno, quando a temperatura lá fora cai, as piscinas continuam com água entre 26°C e 38°C. É essa característica que garante o fluxo de turistas durante todos os meses do ano, não apenas no verão.
O Festival do Folclore — a outra identidade de Olímpia
Antes mesmo dos parques aquáticos, Olímpia já tinha sua vocação cultural consolidada. A cidade carrega o título oficial de Capital Nacional do Folclore (Lei Federal nº 13.566, de 21 de dezembro de 2017), por realizar há mais de 60 anos o Festival Nacional do Folclore, que em agosto reúne grupos de danças e manifestações culturais de todo o Brasil e um público de 160 mil pessoas em 9 dias de evento.
A festa nasceu por iniciativa do Professor José Sant’anna (falecido em 1999), com a preocupação de fomentar e preservar as manifestações culturais populares do país. Em 2026 o festival chega à sua 62ª edição — uma das manifestações culturais mais longevas e relevantes do Brasil.
O futuro de Olímpia — investimentos até 2031
Em 2026, o Carpe Diem Eco Resort entrou para o ranking Travellers’ Choice Best of the Best do TripAdvisor, ocupando a 19ª colocação mundial na categoria “Para Toda a Família”. A rede hoteleira local soma 34 mil leitos, a segunda maior do estado de São Paulo, atrás apenas da capital.
O grupo Hot Beach anunciou investimentos superiores a R$ 530 milhões até 2031 em ampliação de parques e resorts. O Thermas dos Laranjais continua lançando novas atrações — como o Nações em 2025, com investimento de R$ 60 milhões. E a cidade ainda está construindo seu próprio aeroporto, que quando inaugurado vai ampliar ainda mais o acesso de turistas de todo o Brasil.
A cidade que quase virou produtora de petróleo vai continuar crescendo — movida pela água quente que o subsolo guarda há milhões de anos.
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Conclusão
A história de Olímpia SP é a prova de que uma descoberta inesperada pode mudar completamente o destino de uma cidade. Da busca frustrada por petróleo nos anos 1960 à inauguração do Thermas dos Laranjais em 1987, e do crescimento explosivo das décadas seguintes aos 4,8 milhões de turistas recebidos em 2023 — Olímpia transformou água quente em um dos maiores polos turísticos do Brasil. Uma cidade de 55 mil habitantes que recebe mais turistas por ano do que muitas capitais. A Orlando Brasileira que nasceu de um erro e virou um acerto histórico.
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